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Seu chocolate foi produzido com mão de obra escrava?

(DISCLAMER DA CHOCOLATA. O tema a seguir é delicado, contudo, a Chocolata acredita numa cadeia sustentável e responsável, sócial e economicamente, representada pela cultura bean/tree to bar, razão pela qual entendemos que deve ser abordado para que se evite a propagação dessa cultura nefasta. Boa leitura.)

Isso mesmo que você leu! Grande parte dos chocolates comercializados no mundo é produzida com trabalho escravo e infantil. E eles estão mais próximos do que se imagina: nas prateleiras dos nossos mercados.

Quase 60% de todo cacau comercializado no mundo vêm de dois países africanos: Costa do Marfim e Gana. Segundo artigo da BBC, publicado em fevereiro deste ano, um produtor de cacau da Costa do Marfim recebe em média menos de U$1 por dia.

Além dos vergonhosos preços pagos aos produtores de cacau, é sabido há muitos anos que o cultivo deste fruto na África é em grande parte feito por meio de trabalho infantil.

No ano 2000, um documentário da BBC denunciou o uso de trabalho escravo infantil na produção de cacau na África Ocidental, além do tráfico de crianças de outros países africanos para a Costa do Marfim.  Naquele ano, o tema ficou em evidência e passou a ser exposto por diversos jornais e outras mídias.

Surgiu então uma onda de indignação dos consumidores de chocolate nos Estados Unidos. Diante deste contexto, chegou ao senado americano um projeto para desenvolver uma rotulagem para os chocolates que indicasse que nenhum trabalho escravo infantil foi usado para cultivar o cacau.

Pressionadas pelos consumidores e pela legislação, a saída encontrada pelas grandes indústrias do setor foi negociar um acordo no senado. Em 2001, 8 grandes empresas do setor (Nestlé, Hershey, Mars, Barry Callebaut, ADM, Guittard, Bloomer e World’s Finest Chocolate) assinaram o Protocolo Harkin-Engel, também conhecido como Protocolo do Cacau.

Nele elas se comprometiam a “erradicar as piores formas de trabalho infantil e trabalho forçado adulto em fazendas de cacau na África Ocidental” até 2005. Também prometeram desenvolver voluntariamente padrões de certificação para garantir que não houve uso de trabalho escravo ou infantil. Por outro lado, o acordo estabelecia que os reguladores federais não poderiam fiscalizar o suprimento de chocolate. O protocolo não estabeleceu implicações legais caso as metas não fossem cumpridas.

Na época, a porta-voz da Associação de Fabricantes de Chocolate declarou: “Não precisamos de legislação para lidar com o problema… nós já estamos agindo.”

Como já era de se imaginar, o prazo do acordo não foi cumprido e, em 2007, representantes das indústrias de chocolates se defenderam dizendo que estabelecer padrões de certificação não significava criação de rótulos que indicassem nos produtos que o chocolate estava livre de trabalho infantil. O acordo foi sendo prorrogado a cada prazo perdido (2005, 2008 e 2010). De lá pra cá, embora estas empresas venham executando vários projetos locais, houveram poucas mudanças e até mesmo grandes retrocessos.

Segundo último grande relatório do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, publicado em 2015, o número estimado de crianças trabalhando na produção de cacau na África Ocidental cresceu de 1.8 milhões (em 2009) para 2.1 milhões. Destas, pelo menos 16 mil são comercializadas e traficadas de outros países africanos para a Costa do Marfim.

Neste país, o comércio de Cacau é estruturado da seguinte maneira: o agricultor vende o cacau para um comprador licenciado pelo governo, que vende às indústrias de processamento de cacau e, por fim, estas vendem seus subprodutos às empresas produtoras de chocolate.

Três empresas controlam juntas 60% do processamento de todo cacau do mundo: Barry Callebaut, Cargill e ADM (esta última vendeu recentemente parte de suas fábricas à Cargill).

Já 50% do mercado mundial de chocolate é dominado por 5 empresas: Mars, Mondelez, Nestlé, Ferrero, Hershey.

Até 2019, Mars, Mondelez, Nestlé e Hershey não foram capazes de rastrear mais da metade do seu cacau. A maior delas, Mars, consegue rastrear apenas 24%. Além destas gigantes, muitas outras grandes empresas não são capazes de rastrear o seu cacau.

É evidente que o problema é muito mais complexo do que pode parecer, visto que tem sua origem na extrema pobreza da população rural africana.

Diante das dificuldades para se enfrentar o problema, em 2010 o último acordo propôs metas menos “ambiciosas” e estabeleceu que, ao invés de erradicar o trabalho escravo infantil, o ele deveria ser reduzido em 70%, até 2020.

Infelizmente, ao que tudo indica esta meta também não será cumprida.

No documentário da BBC um menino que foi forçado a trabalhar em plantações de cacau respondeu à pergunta:

“O que vocês pensam das pessoas que saboreiam chocolate em outras partes do mundo?”

“Eles estão gostando de algo que eu sofri para fazer!”

Então, para me deliciar com meu chocolate, é preciso que milhões de crianças sofram?

A resposta é não, e aqui na Chocolata você encontra os chocolates que te garantem que não houve trabalho forçado, nem trabalho infantil.

E é isso que vamos mostrar para você na próxima matéria desta série.

Texto escrito por @alessandra_bdias

Fontes: Washington Post, BBC, Exame, Fair Trade International, U.S. Department of Labor, International Labour Organization e Revista Fortune

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